Achei que meu puff do Grêmio seria um bom plano de fundo para a foto dos meus livros. ^^
Devorei Pra Ser Sincero em um dia, infelizmente, ainda não pude começar a ler Mapas do Acaso, espero conseguir chegar a ele durante a semana que vem.(yn)
Achei que meu puff do Grêmio seria um bom plano de fundo para a foto dos meus livros. ^^
Ela Sabe
Ela sabe muito bem o que quer
Ela sabe o que precisa fazer
e vai a luta
não escuta ninguém
Ela sabe muito bem o que é
que se espera de uma mulher
mais não quer nem saber
ela manda a ver
Ela sabe muito bem o que quer
ela sabe o que precisa fazer
vai a luta,
e não escuta ninguém
A maioria esmagadora
a voz da razão
bom senso, uníssono,
ensurdecedor
Na lua cheia ateia fogo as próprias vestes
só pra acordar de
bom humor
Pra agradar o que der e vier
só a força de uma mulher
que sabe muito bem o que quer
e ela sabe, ela sabe
vai a luta não escuta
A maioria esmagadora
a voz da razão
bom senso, uníssono,
ensurdecedor
Na lua cheia ateia fogo as próprias vestes
só pra acordar de
bom humor
Ela sabe, ela sabe, ela sabe, ela sabe, ela sabe, ela sabe.
Composição: Humberto Gessiger
Você pode até dizer "Nossa, dentre tantas músicas muito melhores dos Engenheiros, por que postar Dom Quixote?!", eu responderia que por dois motivos:
1. Eu não estou aqui para fazer um top, com as melhores músicas dos Engenheiros;
2. Também conservo um certo amor às causas perdidas. Uma visão otimista e romântica sobre várias coisas, a vontade de fazer o melhor possível, mesmo que não baste pra acabar com todos os problemas do mundo.
Dom Quixote
Muito prazer, meu nome é otário
Vindo de outros tempos mas sempre no horário
peixe fora d'água, borboletas no aquário
Muito prazer, meu nome é otário
na ponta dos cascos e fora do páreo
puro sangue, puxando carroça
Um prazer cada vez mais raro
aerodinâmica num tanque de guerra,
vaidades que a terra um dia há de comer.
"Ás" de Espadas fora do baralho
grandes negócios, pequeno empresário.
Muito prazer me chamam de otário
por amor às causas perdidas.
Tudo bem, até pode ser
que os dragões sejam moinhos de vento
Tudo bem, seja o que for
seja por amor às causas perdidas
Por amor às causas perdidas
Tudo bem...até pode ser
Que os dragões sejam moinhos de vento
Muito prazer...ao seu dispor
Se for por amor às causas perdidas
por amor às causas perdidas
Composição: Humberto Gessinger / Paulo Gauvão
A formação do grupo ocorreu em 1984, dentro da faculdade de Arquitetura de Porto Alegre, em virtude de apresentações que serviam como protesto à paralisação de aulas. O nome da banda deu-se por conta de uma rixa existente entre Arquitetos x Engenheiros, satirizando os estudantes de Engenharia que usavam roupas de surfistas.
O primeiro show aconteceu em 1985, no mesmo dia (11/01/85) simultaneamente com a abertura do primeiro Rock in Rio. Depois de algumas apresentações em palcos alternativos da capital gaúcha conseguem gravar duas músicas na coletânea Rock Grande do Sul (1985), e umas delas faz um grande sucesso no sul, Sopa de Letrinhas. Devido ao grande sucesso a gravadora BMG decidiu arcar com o LP inaugural chamado de “Longe demais das capitais”.
Em 1987, lançam o disco “A Revolta dos Dândis”, destaque para as músicas Terra de Gigantes, Infinita Highway e Refrão de Bolero. A partir desde albúm começam as grandes apresentações do grupo, as quais lotavam estádios e ginásios pelo país. O trabalho seguinte recebe o nome de “Ouça o que Eu Digo: Não Ouça Ninguém”, de 1988, mais uma vez a banda é alvo da crítica, desta vez em relação aos clichês subvertidos presentes nas letras de Gessinger.
Carlos: "Somos absolutamente fascinados por isso, frases de efeito ou sei lá como chamam. De repente, duas coisas estandardizadas como o símbolo hippie e uma engrenagem, quando juntam vão formar uma outra coisa. Essa é uma viagem da banda".
Humberto: "O que me fissura nos ditados é que são superpresentes. Fico atento pra pegar essas pérolas, essas frases de caminhão. A gente subverte uma palavra no fim e já cria um efeito ambíguo. O nonsense e o abstrato são geniais, o supra sumo da cultura ocidental. Mas hoje em dia eu tenho horror da sua vulgarização. Acham que todo nonsense faz sentido, caretearam. O que a gente tenta é sair desse atoleiro de nonsense. É buscar o significado e enlouquecer, desmistificar a razão. Pegar um ditado teoricamente careta e subverte-lo".
Deste lp nasceram sucessos como: Ouça o que eu digo, não ouça Ninguém, Somos quem podemos ser, Tribos e Tribunais e A verdade a ver navios.Este vinil também marca a saída do grupo da cidade de Porto Alegre para o Rio de Janeiro
O disco seguinte, de 1990, foi “O Papa é Pop”, neste disco a banda grava pela primeira vez uma música que não foi composta pelo grupo - Era um garoto que como eu amava os beatles e os Rolling Stones, primeira música que Humberto aprendeu a tocar ao violão, ainda criança, e que era tocada inicialmente pela banda em showmícios para eleição presidencial de 1989. Este disco alçou os Engenheiros a categoria de "melhor banda de rock do Brasil". Vendeu mais de 350 mil cópias e estourou com as músicas: O Papa é pop, Exército de um Homem só, Era um garoto...(por coincidência em uma época de guerra), Pra ser Sincero e Perfeita Simetria. Além de tantos sucessos, as rádios ainda descobriram Refrão de Bolero, música do segundo lp da banda.
O disco caracteriza uma estética "limpa", desde a capa até o som, gravado com bateria eletrônica, guitarra e baixo totalmente limpinhos. Marca também o batizado da banda como produtora de seus discos, fato que se repetirá nos próximos dois LPs.
Ignorados pela Folha, elogiados pelo New York Times
No meio de toda essa briga com a crítica os Engenheiros foram convidados para tocar no Rock in Rio II, juntamente com Guns n'Roses, Sepultura, Capital Inicial, Lobão etc... Enquanto outros artistas nacionais eram apedrejados pelo público os Engenheiros fizeram um show que levantou o público com sucessos como Alívio Imediato emendada com Help dos Beatles e Era um garoto... Os Engenheiros foram a única banda brasileira a se apresentar no festival elogiada pelo jornal americano New York Times, enquanto a Folha de São Paulo ignorava solenemente duas apresentações da banda para um Ibirapuera lotado, não divulgando nem em roteiro.
Eu não poderia começar a homenagem aos Engenheiros por outra música:
Ilex Paraguarienses
Hoje eu acordei mais cedo
Tomei sozinho o chimarrão
Procurei a noite na memória... procurei em vão
Hoje eu acordei mais leve (nem li o jornal)
Tudo deve estar suspenso... nada deve pesar
Já vivi tanta coisa, tenho tantas a viver
Tô no meio da estrada e nenhuma derrota vai me vencer
Hoje eu acordei livre: não devo nada a ninguém
Não há nada que me prenda
Ainda era noite, esperei o dia amanhecer
Como quem aquece a água sem deixar ferver
Hoje eu acordei, agora eu sei viver no escuro
Até que a chama se acenda
Verde... quente... erva... ventre... dentro... entranhas
Mate amargo noite adentro estrada estranha
Nunca me deram mole, não (melhor assim)
Não sou a fim de pactuar (sai pra lá)
Se pensam que tenho as mãos vazias e frias (melhor assim)
Se pensam que as minhas mãos estão presas (surpresa)
Mãos e coração, livres e quentes: chimarrão e leveza
Mãos e coração, livres e quentes: chimarrão e leveza
... ilex paraguariensis...
... ilex paraguariensis...